Bruno Caxias
Frequentava a casa de Dona Noêma já quando pequeno, que eu era bem amigado de seu sobrinho, Bruno Caxias, que lá morava em função de seu segundo grau. Quando chegava visita, ficávamos espiando do corredor, tentando não fazer barulho.
Porque Dona Noêma tinha um cacoete de oferecer doces que em casa não havia.
- Quer bolinho, minha filha? Fiz hoje de manhã, tá fresquinho, de cenoura!
Não importava a pujança da negativa, Dona Noêma insistia até que ficasse desconfortável para a visita negar, então já ia triunfante à cozinha, contava até três e punha-se a ralhar com uma tal Elizete, que pelo que sei nunca chegou a existir, e fazia questão de falar-lhe o nome completo,
- Elizete Salles, tu comeste todo o bolo? - A visita já sem saber onde enfiar a cara, Dona Noêma voltava à sala - Você não sabe, minha filha, Elizete Salles, a moça daqui, comeu o bolo inteirinho! Mas agora já não posso ficar te devendo um doce, tem um pudim de ontem, com ameixa, uma delícia, você não vai me fazer desfeita!
E repetia-se o ritual até a visita desistir do que viera fazer.
Parei de frequentar a casa porque Bruno Caxias foi para São Paulo fazer universidade. Fui encontrá-lo outro dia no Rio de Janeiro, muito cabeludo e barbudo, porque tinha-lhe morrido o barbeiro, de quem gostava muito.
1 comentários:
Quantas donas Noêmias devem existir, né? Lembro de algumas, em alguma ou outra ocasião.
Personagens bons e sintéticos, cara. É uma crônica sincera, gosto disso.
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