Contradição
Outro dia, uma grande sombra me agitou. Dirigia por uma rua movimentada, com minha namorada ao lado, quando, por um acaso qualquer, ela deixou cair um grande copo de refrigerante no meu colo. O susto me fez perder o controle e nada mais vi, somente o feixe de luz dos faróis iluminando uma árvore que se aproximava.
Outro ano, em uma estrada não muito movimentada, meu pai dirigia, com minha mãe ao lado, quando, por um acaso qualquer, deixou uma das rodas roçar no acostamento da rodovia. O desnível causou um grande barulho e, assustada, minha mãe gritou.
(…)
Em questão de instantes, eu consegui desviar o carro e voltar à segurança do ritmo constante da rua. Naquele passado, agora já mais distante, meu pai não conseguiu e batemos em um barranco.
Vidros, um tranco sentido e, quando abro meus olhos, sou o único ainda consciente. Manchas vermelhas cobrem o estofamento e o silêncio devido era interrompido pelo rádio, que insistiu em seguir tocando. Meu sangue gelou, mas em nenhum momento enevoou-se minha mente. Fiz tudo que era necessáro, sem me permitir uma hesitação.
(…)
Anos turbulentos, mas, de certa maneira, bonitos se seguiram a esse acidente. Meu temor, do qual me envergonho, é que, agora, me aguardem anos nem tão turbulentos nem tão bonitos.
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