sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Estrada escura

A estrada escura segue adiante por uma distância indefinida. Custa até que caro a preguiça dele: não é tão fácil estar só numa sexta-feira. Vagando pela calçada irregular da rodovia, ele persegue um sentimento que não pode encontrar.

Sem pensar, ele vai na direção de onde vivia. Os fantasmas não estarão lá, mas mesmo assim ele continua. A noite abençoa buscas condenadas nos gestos de suas mãos de vento. Risos abafados alcançam seus ouvidos e ele vira a cabeça instintivamente, mas as risadas são de outros. Os espíritos que procura permanecem imóveis no limbo.

Ah, barcos malditos da ilusão dos dias, quantas noites morrem em suas manhãs fúnebres! Foda-se a clareza, o negro da madrugada fala mais alto. Agora, ele corre na beira do caminho, marginal como deveria ser, como tinha que ser. Sombras, apenas, o compreendem na escuridão nem tão vazia da sexta-feira.

Nada. Os passos se acalmam e o ritmo de tudo diminui. O tempo volta a passar novamente, descrevendo círculos de fumaça a cada minuto. Os sons da conversa de outros se distanciam. Ele segue até a passarela, enquanto, de pé no ponto de ônibus próximo, dois vultos fantasmagóricos apontam para seu rosto, velho conhecido.

1 comentários:

Henrique Cartaxo disse...

Parece a história dramática de um poeta que...
...
Atravessa a rua para chegar no ponto de ônibus.

Gosto do clima, acho que ficaria bem num audiovisual.

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